O cenário do corpo de colaboradores das indústrias e parques fabris espalhados pelo Brasil passa por uma transformação que não passa despercebida, se há duas décadas o ambiente industrial era dominado pela figura masculina. Hoje a presença feminina nas indústrias não é apenas uma questão de cota social, mas uma vantagem estratégica consolidada.
De acordo com dados recentes do Observatório de Mato Grosso elaborado pelo Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), a participação feminina no setor industrial do estado mantém uma trajetória de crescimento, ultrapassando os 22% de cargos ocupados, em áreas antes consideradas “pesadas”, como a metalurgia, automação e de operação de máquinas.
Um destes postos de trabalho conquistado por uma mulher é da operadora de máquinas, Lucinéia Figueiredo, de 45 anos, que há cinco anos trabalha nas indústrias Refrigerantes Marajá. Ela conta que seu primeiro emprego foi como cobradora de ônibus, mas se encontrou mesmo profissionalmente na indústria, na empresa iniciou como inspetora de garrafas e com tempo subiu de função e atualmente é operadora de máquinas. “Eu gosto do que faço hoje, lá atrás foi a primeira vez que eu tinha entrado em uma indústria e não tinha noção de como que era, mas hoje eu prefiro trabalhar com máquina do que com gente. Quando comecei eram poucas mulheres na operação das máquinas e agora somos mais mulheres atuando, e deve ser porque somos mais caprichosas na hora de fazer as tarefas que os homens, não é?”, brincou.
A Clarice Barros de Arruda de 26 anos, casada e com um filho de 5 anos, trabalha há quatro anos também Refrigerantes Marajá, hoje é uma operadora de máquinas, assim como Lucinéia. E viu na oportunidade de trabalhar na indústria de ajudar na renda familiar junto com o esposo. “Eu acho que é bem importante trabalhar, porque tem o lado financeiro também que traz mais tranquilidade para a família. Eu acho que vale a pena a correria de conciliar o lar e o trabalho, até porque nós mulheres temos que procurar o nosso próprio caminho. Então eu acho que a mulher tem que trabalhar, conquistar seus sonhos e coisas, eu prefiro ter meu próprio dinheiro para não precisar ficar pedindo para o marido”, disse.
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Segundo o gestor de Recursos Humanos da Refrigerantes Marajá, Tiago Bruehmueller Morinigo, a ascensão feminina na indústria já é uma realidade sem volta. Atualmente na empresa são 42 mulheres no quadro funcional de colaboradoras e estão espalhadas em diversos níveis da indústria. “Para nós é motivo de orgulho. A indústria tem mudado e mudado para melhor no nosso ponto de vista. Hoje, nós temos a possibilidade de contar com o trabalho das mulheres, isso faz toda a diferença, porque muitas vezes elas demonstram mais capacidade e competência do que antigamente se pensava em relação aos homens. Nós temos mulheres em diferentes áreas e uma parte significativa delas dentro da equipe de liderança, inclusive temos alguns setores que são chefiados por mulheres e isso para nós é uma coisa relevante também porque tradicionalmente as empresas sempre tiveram mais homens nos cargos de liderança e a gente já faz muitos anos a gente percebeu que isso era senso comum, e isso não faz a diferença”, comentou.
Fonte; Assessoria