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PF investiga fraudes em consignados e servidores de MT cobram ressarcimento

Publicado 17/06/2025 às 18:17 Por Atitude MT
Fachada da Polícia Federal em Cuiabá iluminada à noite durante operação contra fraudes em consignados de servidores de MT
Créditos: MIDIA NEWS

O universo dos empréstimos consignados concedidos a servidores do Governo de Mato Grosso entrou no radar da PF. Um ofício encaminhado pelo Ministério Público Federal pede a instauração de inquérito para verificar indícios de fraude, juros abusivos e até lavagem de dinheiro em contratos que, segundo denúncias de sindicatos, vêm comprometendo parte considerável da remuneração de milhares de funcionários públicos. A representação foi formalizada pelo Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo e traz a assinatura do ex-governador e advogado Pedro Taques. A informação foi publicada pelo portal RDNews e rapidamente ganhou amplitude entre categorias que já vinham apontando descontos fora do padrão nos contracheques de maio e junho.

Como surgiram as suspeitas

Os primeiros sinais de irregularidade vieram de servidores que perceberam valores superiores ao contratado sendo debitados diretamente da folha de pagamento. Relatórios extraídos do sistema de gestão financeira do Estado mostram parcelas duplicadas em alguns casos e cobranças de taxas que não constavam no contrato original. Esses documentos, somados a gravações de ligações realizadas por correspondentes bancários, foram reunidos num dossiê entregue ao Ministério Público Federal. A empresa apontada como pivô da controvérsia é a Capital Consig, que atua como intermediária entre bancos e tomadores. Embora afirme seguir normas do Banco Central, a companhia terá de explicar por que alguns contratos exibem percentuais de juros acima do teto permitido para consignação.

O impacto direto no bolso do servidor

Close-up de demonstrativo de pagamento de servidor público mostrando descontos abusivos de empréstimo consignado

Para quem depende da renda mensal sem grandes margens de folga, todo real faz diferença. Servidores das áreas de saúde, educação e segurança relatam comprometer até quarenta por cento do salário líquido com as parcelas descontadas. Muitos alegam que o valor inicial foi alterado sem aviso prévio, gerando efeito cascata no orçamento familiar. A indignação se multiplicou em grupos de mensagens e motivou manifestações na porta do Palácio Paiaguás, sede do governo estadual, onde faixas pediam transparência nos contratos e suspensão imediata dos débitos suspeitos.

O que a PF vai averiguar

Agora em fase preliminar, a investigação deve buscar provas documentais e testemunhais sobre quatro frentes principais. A primeira é a possível inclusão de cláusulas não autorizadas que ampliariam a base de cálculo dos juros. A segunda envolve taxas de serviço cobradas em nome de terceiros e repassadas a contas não vinculadas ao sistema financeiro oficial. A terceira trata da suspeita de conluio entre servidores do setor de folha e correspondentes bancários que teriam facilitado a liberação de margens acima do limite legal. A quarta linha de apuração mira a eventual prática de lavagem de dinheiro a partir de transferências internas entre as empresas envolvidas. Um delegado federal especializado em crimes contra o sistema financeiro deve ser designado ainda nesta semana para iniciar oitivas e solicitar quebras de sigilo bancário caso encontre lastro probatório.

Reação do Poder Legislativo

Diante da repercussão, a Assembleia Legislativa aprovou em caráter de urgência um projeto que redefine as regras dos consignados no âmbito estadual. O texto limita a margem de comprometimento da remuneração a trinta e cinco por cento, proíbe a emissão de cartão consignado e extingue a chamada taxa administrativa, cobrada por algumas financeiras no momento da contratação. Parlamentares da base governista afirmam que a medida evita abusos e protege o servidor enquanto a investigação corre. A oposição, por sua vez, pressiona pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para acompanhar o caso dentro da Casa.

O que diz a Capital Consig

Procurada pela reportagem, a empresa enviou nota breve na qual sustenta que seus processos obedecem às normas do Banco Central e que eventuais divergências de valores decorrem de falhas operacionais já corrigidas. A companhia garante colaboração irrestrita com as autoridades e sinaliza abertura para negociar acordos de devolução, caso fique comprovado algum prejuízo ao consumidor. Até o momento, contudo, não apresentou documentação que contradiga os extratos anexados pelos sindicatos.

Possíveis desfechos

Especialistas em direito do consumidor enxergam três vias factíveis. Se a PF confirmar agravantes penais, executivos e intermediários podem ser indiciados por estelionato, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, o que pode resultar em penas de reclusão e multas milionárias. Uma segunda possibilidade é a ampliação da investigação para outras instituições que operam consignado com servidores estaduais, o que colocaria bancos e cooperativas sob escrutínio. Já o terceiro cenário envolve um eventual acordo coletivo de ressarcimento como forma de estancar uma avalanche de ações individuais nos juizados especiais. Em qualquer hipótese, a abertura do inquérito eleva a pressão por transparência na gestão desses contratos.

Orientação para servidores afetados

Advogados consultados recomendam que o servidor reúna cópias do contrato firmado com a financeira, dos extratos de pagamento e de eventuais comunicações por e-mail ou aplicativo. O passo seguinte é registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil para criar um histórico formal do problema. Também é aconselhável protocolar reclamação no Banco Central e abrir processo no Procon, ainda que se espere uma resposta coletiva por parte das autoridades federais.

O que vem a seguir

Nas próximas semanas, a Polícia Federal deverá coletar depoimentos de servidores lesados e representantes das empresas envolvidas. O Ministério Público Federal acompanhará cada diligência, podendo oferecer denúncia se houver indícios robustos de crime. O Governo de Mato Grosso afirma que aguarda o desfecho da apuração para adotar medidas administrativas e que mantém diálogo com os sindicatos para minimizar impactos na folha de pagamento. A sociedade civil acompanha de perto, consciente de que a resolução desse caso pode estabelecer novo padrão de controle nos consignados e servir de parâmetro para outros estados. Até lá, prevalece a expectativa de que a investigação traga respostas claras, responsabilize eventuais culpados e restitua a tranquilidade financeira do servidor público.

Fontes: Redação

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