26 DE JULHO DIA MUNDIAL DOS IDOSOS E AVÓS, BPW RONDONÓPOLIS-MT, O ABANDONO NA VELHICE É INACEITÁVEL, PROTEJA NOSSOS IDOSOS.

Publicado 20/07/2026 às 14:49 Isaque

Com envelhecimento acelerado apontado pelo IBGE, município enfrenta o desafio de garantir dignidade e combater a violência silenciosa contra a terceira idade nos lares locais.


Margarida Aracy de Campos e Silva
Profª Aposentada-SEDUC-MT.
Mestra em Educação
Coordenadora do BPW-SENIOR 60 +
Rondonópolis, MT


O envelhecimento populacional é uma realidade global, mas suas nuances se manifestam de forma contundente nas realidades locais. Em Rondonópolis, município polo do sudeste de Mato Grosso e reconhecido por sua força econômica no agronegócio, o crescimento urbano e o dinamismo financeiro contrastam com um desafio social invisibilizado, mas urgente: o abandono e a vulnerabilidade da pessoa idosa. Diante de uma transição demográfica acelerada, a sociedade rondonopolitana é convocada a refletir e a agir sob o lema essencial: diga não ao abandono dos idosos.


A Realidade Demográfica e a Invisibilidade Social
Os dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a pirâmide etária de Rondonópolis está mudando rapidamente. Com uma população que ultrapassa os 244 mil habitantes, o município abriga mais de 17 mil pessoas com 65 anos ou mais, o que representa cerca de 7,8% do total de moradores. O índice de envelhecimento local atinge a marca de 35,23, demonstrando que a proporção de idosos cresce em ritmo superior ao de gerações anteriores. Rondonópolis abriga inclusive registros notáveis de longevidade extrema, contando com cerca de 30 cidadãos centenários.
Apesar de esses números celebrarem o avanço da medicina, do saneamento e das condições de sobrevivência, eles trazem consigo uma responsabilidade estrutural que o município ainda luta para absorver. Em Mato Grosso, a população idosa deu um salto expressivo de 70% em um intervalo de apenas 12 anos. Esse crescimento acelerado não foi acompanhado, na mesma proporção, pela expansão de redes de apoio psicossocial, gerando um vácuo onde a negligência e o desamparo encontram espaço para crescer de forma silenciosa dentro dos lares rondonopolitanos.


“Cuidar, respeitar e integrar a população idosa na vida comunitária não é um ato de caridade, mas uma demonstração de maturidade social e civilidade.”


As Múltiplas Faces do Abandono na Cidade
Quando se discute o abandono de idosos, a imagem imediata construída pelo senso comum é a do desamparo nas ruas ou em praças públicas. Contudo, na dinâmica social de Rondonópolis, essa violência assume contornos bem mais sutis, cotidianos e domésticos. O abandono material e físico se manifesta quando famílias, absortas em rotinas de trabalho exaustivas e na busca por inserção no competitivo mercado de trabalho local, relegam o idoso ao isolamento domiciliar, privando-o de alimentação adequada, higiene e do acompanhamento regular a consultas médicas na rede de saúde.


Outra vertente alarmante é o abandono financeiro ou patrimonial. Em muitos lares da periferia e de bairros centrais da cidade, a aposentadoria ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) recebidos pelo idoso tornam-se a principal — ou única — fonte de renda familiar. Ocorre, então, a retenção indébita de cartões magnéticos e o desvio desses recursos por parte de filhos ou netos, deixando a pessoa idosa desprovida de autonomia financeira para comprar seus próprios medicamentos e mantimentos básicos.
A essa violência material soma-se o abandono afetivo inverso. Trata-se da ruptura dos vínculos de carinho, da ausência de diálogo e do distanciamento emocional por parte dos parentes. Esse cenário é frequentemente agravado pelo preconceito etário e pela falta de paciência no trato com idosos que enfrentam declínios cognitivos ou doenças degenerativas, como o Alzheimer. O esquecimento prolongado em leitos hospitalares ou o encaminhamento definitivo para Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), sem a realização de visitas periódicas, materializam a rejeição familiar e institucional.


Impactos Psicológicos e Físicos da Negligência
As consequências do abandono na terceira idade são devastadoras e aceleram o declínio da saúde de forma global. O ser humano é profundamente dependente das interações sociais e do sentimento de pertencimento. Quando despojado de seu papel ativo na família e na comunidade, o idoso passa a internalizar sentimentos de inutilidade, solidão e rejeição crônica.
Psicologicamente, esse isolamento funciona como o principal gatilho para quadros severos de depressão e ansiedade de difícil reversão. Clinicamente, o sofrimento mental repercute diretamente no corpo: há uma perda acentuada de apetite, desidratação, redução da imunidade e o agravamento de doenças crônicas preexistentes, como a hipertensão e o diabetes. Em Rondonópolis, profissionais da assistência social e da saúde frequentemente se deparam com idosos cuja deterioração física acelerada não decorre estritamente da idade biológica, mas sim da profunda tristeza decorrente do esquecimento familiar.


O Amparo Legal e os Canais de Proteção
A proteção à pessoa idosa não é apenas um dever moral, mas uma obrigação legal rigidamente instituída no ordenamento jurídico brasileiro. O artigo 229 da Constituição Federal de 1988 é taxativo ao determinar que os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Complementarmente, a Lei nº 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa) tipifica o abandono como crime punível com detenção e multa, estabelecendo penalidades severas para quem expõe a vida ou a saúde do idoso a perigo, seja por privação de alimentos, cuidados indispensáveis ou retenção de proventos.


No âmbito municipal, Rondonópolis conta com órgãos dedicados a combater essas violações, como o Conselho Municipal do Idoso (CMI) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). A população dispõe do canal federal Disque 100 (Disque Direitos Humanos), um serviço gratuito, anônimo e que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violência, abuso e negligência contra a população idosa, encaminhando os casos imediatamente para a apuração das autoridades locais e da Promotoria de Justiça.


Conclusão: Construindo uma Cidade Acolhedora

Para reverter o cenário de abandono em Rondonópolis, a punição legal isolada mostra-se insuficiente. O município necessita de uma transformação cultural aliada a políticas públicas robustas. É fundamental fortalecer a rede de atenção básica, expandir os programas de saúde da família com visitas domiciliares focadas na terceira idade e incentivar a criação de “Centros-Dia”, espaços públicos onde os idosos possam passar o período diurno realizando atividades físicas, culturais e de socialização enquanto seus familiares trabalham, retornando para o convívio do lar ao final do dia.


Dizer não ao abandono dos idosos em Rondonópolis significa entender que a longevidade populacional é uma conquista coletiva que exige cuidados partilhados. Cuidar, respeitar e integrar a população idosa na vida comunitária não é um ato de caridade, mas uma demonstração de maturidade social, civilidade e de profunda gratidão àqueles que pavimentaram a história, a economia e a identidade do município.


Nossos reconhecimentos e defesa ao valor do idoso, e assim, compreender, que a sociedade de hoje só existe porque eles trabalharam, sonharam e construíram as bases do nosso mundo.

Mara Oliveira Lonardoni

Margarida Aracy de Campos e Silva

Presidente da BPW.

Coordenadora BPW SENIOR 60+
Rondonópolis-M.T

Rondonópolis -MT.

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