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Juro real do Brasil chega a 10% e fica atrás só da Turquia

ECONOMIA

O juro real do Brasil atingiu 9,76% ao ano, mantendo o país na segunda posição do ranking mundial de taxas de juros reais, segundo levantamento da consultoria MoneYou divulgado em julho de 2025. A taxa brasileira fica atrás apenas da Turquia, que lidera com 10,08%, mas supera economias como Argentina, com 6,70%, e África do Sul, com 5,29%. O indicador considera a taxa de juros descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses. A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central consolidou essa posição no cenário internacional. Esta foi a primeira vez que o comitê optou por manter os juros após sete altas consecutivas, demonstrando cautela diante das pressões inflacionárias e dos riscos fiscais que rondam a economia brasileira. O juro real representa o retorno efetivo de investimentos após descontar a perda do poder de compra causada pela inflação. Diferentemente da taxa nominal, esse indicador mostra o ganho real que investidores e poupadores obtêm, sendo fundamental para avaliar a atratividade dos ativos financeiros brasileiros no mercado global. Como funciona o cálculo do juro real O cálculo do juro real brasileiro utiliza a metodologia que combina a taxa DI (Depósito Interbancário) projetada para 12 meses com a inflação esperada para o mesmo período, coletada pelo Boletim Focus do Banco Central. Atualmente, a inflação projetada está em 4,72% para os próximos 12 meses, enquanto a taxa de juros nominal permanece em 15% ao ano. Essa diferença resulta na taxa real de 9,76%, que coloca o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. O levantamento da MoneYou considera 40 países relevantes no mercado de renda fixa global, oferecendo uma visão comparativa precisa da posição brasileira. A metodologia “ex-ante” utilizada no estudo projeta as taxas com base nas expectativas futuras, não nos dados históricos. Isso permite uma análise mais precisa do cenário econômico prospectivo, considerando as decisões de política monetária e as projeções de inflação do mercado financeiro. Impactos na economia e perspectivas futuras O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, explica que o Brasil entrou em território de política monetária restritiva apenas recentemente. Segundo suas projeções, a taxa real pode chegar a 10% no início de 2026, dependendo da evolução do cenário fiscal e das pressões inflacionárias. A elevação dos juros reais tem efeitos diretos sobre o crescimento econômico, o mercado de crédito e os investimentos. Empresas enfrentam custos mais altos para financiamentos, enquanto investidores encontram maior atratividade em aplicações de renda fixa. O cenário também influencia o fluxo de capital estrangeiro, que busca países com retornos reais elevados. As perspectivas de redução dos juros dependem de fatores como o controle da inflação, a melhoria do cenário fiscal e o comportamento da economia internacional. Agostini projeta que a convergência para taxas mais baixas deve começar apenas no fim de 2026, com consolidação em 2027, desde que as condições macroeconômicas permitam. Fonte: Redação

20/08/2025 / 0 Comentários
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Copom Banco Central decide manter Taxa Selic 15% ao ano ou continuar alta

Copom decide hoje se Selic fica no maior nível em 20 anos ou sobe mais ainda

ECONOMIA

O Copom do Banco Central decide nesta quarta-feira 30 de julho se mantém a Taxa Selic em 15% ao ano ou dá continuidade ao ciclo de alta que já dura quase um ano. A alta Taxa Selic atual representa o maior nível dos juros básicos desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Analistas do mercado financeiro apostam na manutenção da taxa, mas a possibilidade de nova elevação não está descartada, considerando a pressão inflacionária que ainda persiste na economia brasileira. Desde setembro de 2024, a Taxa Selic foi elevada sete vezes consecutivas, saindo de 10,5% ao ano para os atuais 15% ao ano. O movimento representa uma das escaladas mais agressivas da história recente da política monetária brasileira, com o Banco Central utilizando seu principal instrumento para combater a inflação descontrolada. As elevações incluíram aumentos de 0,25 ponto, 0,5 ponto e até 1 ponto percentual em algumas reuniões, demonstrando a urgência das autoridades monetárias em conter os preços. A decisão do Copom acontece em um momento delicado para a economia brasileira. Por um lado, a inflação medida pelo IPCA desacelerou para 0,24% em junho, acumulando 5,35% em 12 meses. Por outro lado, o IPCA-15 de julho, que funciona como prévia da inflação oficial, veio acima das expectativas e acelerou devido aos preços de energia e passagens aéreas. Esta divergência de sinais torna a decisão ainda mais complexa para os membros do comitê. Na ata da última reunião, realizada em junho, o Copom sinalizou que a Selic será mantida em 15% ao ano “por tempo prolongado”. O comitê justificou a posição argumentando que os núcleos de inflação, que excluem preços administrados e alimentos in natura, continuam pressionados há meses. Esta interpretação corrobora a visão de que a inflação segue impulsionada pela demanda aquecida, exigindo uma política monetária contracionista por período extenso. O impacto da alta Taxa Selic se estende muito além dos números econômicos, afetando diretamente o bolso dos brasileiros. Juros mais altos encarecem o crédito para financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais, cartões de crédito e financiamentos de veículos. Ao mesmo tempo, estimulam a poupança e desencorajam o consumo, criando um efeito dominó que pode desacelerar o crescimento econômico. Empresas também sentem o peso dos juros elevados, com custos maiores para capital de giro e investimentos. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a estimativa é que a Taxa Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025, com reduções começando apenas em 2026. A previsão de inflação para 2025 foi revista para baixo, de 5,2% para 5,09%, mas ainda permanece acima do teto da meta contínua de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, estabelece que a meta de inflação de 3% deve ser perseguida mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Este novo modelo torna o controle inflacionário mais rigoroso e exige monitoramento constante das autoridades monetárias. A reunião do Copom segue um ritual de dois dias. No primeiro, são apresentados dados técnicos sobre a evolução das economias brasileira e mundial, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê, formado pela diretoria do Banco Central, analisam cenários e definem a nova Taxa Selic. A decisão será anunciada ao final desta quarta-feira, com potencial para impactar imediatamente o mercado financeiro e as expectativas dos agentes econômicos. O último Relatório de Política Monetária do Banco Central, divulgado em junho, manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,9%, mas alertou que a estimativa pode ser revista dependendo do comportamento do dólar e da própria inflação. A autoridade monetária reconhece que o cenário permanece desafiador, com pressões inflacionárias vindas de múltiplas fontes, desde commodities até serviços, exigindo vigilância constante e possível ajuste na política monetária conforme necessário. Fonte: Redação

30/07/2025 / 0 Comentários
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