Salário mínimo sobe para R$ 1.420 em 2025 e impacta INSS, PIS, seguro-desemprego e contratos CLT. Confira efeitos no bolso e dicas de planejamento.
Incidente como MEI, saiba agora se você tem direito ao auxílio INSS
O MEI que sofre um acidente de trabalho ou desenvolve sequelas permanentes encontra barreiras para obter o auxílio-acidente do INSS, benefício que reembolsa metade do salário-de-benefício a quem fica com redução da capacidade laboral, pois a legislação atual exclui quem contribui somente como microempreendedor. Por que o MEI fica de fora do auxílio-acidente O auxílio-acidente destina-se a trabalhadores com carteira assinada, domésticos, avulsos e segurados especiais, que contribuem ao Seguro de Acidente de Trabalho SAT o MEI, embora pague mensalmente a guia DAS, não recolhe a taxa SAT, o que o impede de entrar no rol de segurados elegíveis ao benefício. Para o microempreendedor, a ausência de subordinação típica de relação empregatícia e a não contribuição específica ao SAT são justificativas legais usadas pelo INSS e confirmadas pela Turma Nacional de Uniformização nos julgados sobre o Tema 201, mantendo a exclusão do MEI do auxílio-acidente. Benefícios previdenciários disponíveis ao MEI Apesar de não conseguir o auxílio-acidente, o MEI não fica totalmente desamparado em caso de incapacidade ou doença. É possível contar com o auxílio-doença, desde que cumpridos doze meses de carência, e com a aposentadoria por invalidez, caso a incapacidade seja total e permanente. A mulher MEI que engravida pode acessar o salário-maternidade após dez contribuições mensais, enquanto o auxílio-reclusão beneficia dependentes de MEI preso, se houver vinte e quatro recolhimentos. Para requerer esses auxílios é preciso agendar perícia no portal Meu INSS, anexar atestados e relatórios médicos que demonstrem a incapacidade, além de fornecer documentos pessoais como RG, CPF e comprovante de inscrição no CNPJ de MEI. Após avaliação pericial, o resultado é publicado na plataforma e, em caso de indeferimento, o recurso pode ser apresentado pela própria ferramenta eletrônica. Proposta de inclusão do MEI no auxílio-acidente Há no Congresso proposta que visa corrigir essa lacuna. O Projeto de Lei 1.347 de 2015, aprovado pela Câmara em 2022, pretende estender ao MEI a cobertura do auxílio-acidente mediante contribuição extra de meio por cento sobre a base de cálculo mensal do DAS. Com isso o microempreendedor passaria a recolher também para o SAT, permitindo-lhe pleitear o auxílio-acidente em caso de sequelas permanentes. A medida assegura que a nova contribuição não afete direitos já previstos, mantendo a elegibilidade ao auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e demais benefícios, sem alterar prazos de carência; o texto aguarda análise final no Senado e eventual sanção presidencial, o que elevaria a proteção previdenciária dos MEI. Alternativas para reduzir riscos financeiros Enquanto o PL não é sancionado, o MEI pode recorrer a instrumentos do mercado para se proteger financeiramente em caso de acidente. A contratação de seguro de acidentes pessoais oferece indenização por incapacidades, incluindo invalidez parcial ou total, e pode compensar a falta do auxílio-acidente do INSS. Além disso, performar uma contribuição facultativa extra ao INSS, por meio de guia complementar, amplia o salário-de-benefício usado no cálculo de auxílio-doença e aposentadoria, potencializando os valores recebidos. Manter um fundo de reserva constituído no início da atividade, seja em aplicação de baixo risco ou em conta-poupança, é fundamental para suportar períodos de afastamento; já o plano de saúde e odontológico ajuda a reduzir custos imediatos com tratamentos, permitindo que o microempreendedor não comprometa seu capital de giro com despesas médicas elevadas. Como proceder em caso de acidente Se ocorrer o incidente, o MEI deve ir imediatamente ao serviço médico e guardar todos os relatórios e exames. Em seguida é crucial atualizar o cadastro do INSS, confirmando o vínculo como contribuinte individual e informando a condição de MEI. Ao solicitar o auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, é indispensável anexar prova documental da condição de segurado, incluindo guia DAS e comprovantes de pagamento. Para agilizar o processo, o microempreendedor pode buscar ajuda em pontos de atendimento do INSS ou em escritórios de contabilidade especializados, que orientam sobre preenchimento de requerimentos, a forma correta de anexar documentos e o acompanhamento de prazos. Em caso de indeferimento, a interposição de recurso administrativo pode reverter a decisão, sobretudo se apresentados novos laudos ou perícias médicas complementares. Perspectivas e próximos passos A inclusão do MEI no auxílio-acidente representa avanço na proteção social dos microempreendedores e uniformiza direitos com outras categorias. Se sancionada, a mudança ampliará o alcance do piso de renda nas adversidades. Até lá, a combinação de seguros privados, contribuição adicional e reserva financeira são recursos que garantem maior estabilidade ao negócio em situações de risco. Planejar-se de forma preventiva, conhecer os benefícios disponíveis e acompanhar a tramitação do PL são ações que colocam o MEI em melhor posição para enfrentar um incidente sem perder renda; assim, o empreendedor mantém o foco no crescimento do negócio e na sustentabilidade financeira, mesmo diante de imprevistos.
Alcolumbre lê pedido e CPMI sobre fraudes bilionárias no INSS
O Congresso Nacional abriu, nesta terça-feira (17), um novo capítulo na crise dos descontos irregulares na Previdência. No plenário conjunto, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), leu o requerimento que cria a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar fraudes bilionárias nos benefícios do INSS. A leitura colocou um cronômetro de 180 dias sobre o caso, transformando desejo político em obrigação institucional. “Vamos apurar cada centavo arrancado dos aposentados.”Davi Alcolumbre, presidente do Congresso O foco da investigação As mensalidades surgiam nos contracheques de aposentados e pensionistas sem qualquer autorização. A descoberta aconteceu quando o aplicativo Meu INSS passou a exibir, em tempo real, o detalhamento dos descontos. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, informou ao parlamento que o valor total subtraído pode ficar entre dois e três bilhões de reais, quantia suficiente para custear duas folhas completas de quem recebe o piso da Previdência. Como a CPMI será formada A comissão terá quinze senadores e quinze deputados titulares, além dos suplentes. Cada bloco partidário indicará representantes de acordo com o tamanho de sua bancada. O cargo de relator, que conduz as oitivas e redige o parecer, é alvo de disputa entre aliados do Planalto e parlamentares de oposição. A escolha ocorre na reunião de instalação, marcada para o início de julho, quando também será eleito o presidente do colegiado e aprovado o plano de trabalho. “Transparência total e responsabilidade pública: essa é a marca que esperamos da comissão.” Davi Alcolumbre, durante a leitura do requerimento Próximos passos em Brasília Após a escolha da mesa diretora, a CPMI deve convocar entidades sindicais citadas pelas vítimas e executivos de bancos que operam consignados. A ideia é saber como as cobranças passaram pelos filtros do Dataprev até alcançar o contracheque de milhões de segurados. Parlamentares já falam em solicitar a quebra de sigilo bancário das instituições suspeitas, medida possível em comissões de inquérito. Se surgirem provas consistentes, o relatório final irá ao Ministério Público para possível denúncia criminal. Impacto direto para aposentados e contribuintes Cada desconto não autorizado deixa menos dinheiro para remédios e contas básicas de famílias idosas. Se o ressarcimento não chega, a conta recai sobre o orçamento público, sustentado pelos impostos de todos. A fraude ainda corrói a confiança no crédito consignado, única linha mais barata disponível a muitos beneficiários. Por isso, especialistas em Previdência recomendam consultar o extrato de pagamento todo mês e contestar qualquer sigla desconhecida pela Central 135, no aplicativo ou nos Correios, guardando o protocolo como prova. Reação dos envolvidos Associações acusadas alegam ter autorização dos filiados, mas admitem falhas na comunicação. Bancos afirmam apenas processar dados enviados pelo Dataprev e prometem colaborar. O INSS criou força-tarefa para revisar convênios e agilizar devoluções. Juristas lembram que a simples existência da CPMI aumenta a pressão por soluções rápidas, porque nenhum gestor quer vincular sua imagem a perdas de aposentados. Possíveis desfechos Ressarcimento coletivo sem necessidade de ação individual caso a fraude seja comprovadaMudança nas regras de convênios para evitar novos descontos sem autorizaçãoAções penais contra dirigentes e empresas envolvidas em irregularidades Como proteger seu contracheque Revisar mensalmente o extrato no app Meu INSSContestar imediatamente qualquer cobrança que não reconheçaGuardar todos os protocolos de atendimentoIgnorar ofertas de reembolso imediato feitas por telefone ou redes sociais Com a leitura do requerimento, os descontos fantasmas saíram das conversas de balcão e ganharam palco nacional. A CPMI sobre fraudes bilionárias no INSS reúne documentos, ouve suspeitos e expõe como parte das aposentadorias desapareceu sem autorização. Quem depende do benefício ou paga impostos deve acompanhar cada sessão, fiscalizar seu extrato e cobrar transparência total. O relógio da comissão já está correndo. Fonte: Redação
