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Juro real do Brasil chega a 10% e fica atrás só da Turquia

Publicado 20/08/2025 às 23:21 Por Atitude MT
Créditos: Internet

O juro real do Brasil atingiu 9,76% ao ano, mantendo o país na segunda posição do ranking mundial de taxas de juros reais, segundo levantamento da consultoria MoneYou divulgado em julho de 2025. A taxa brasileira fica atrás apenas da Turquia, que lidera com 10,08%, mas supera economias como Argentina, com 6,70%, e África do Sul, com 5,29%. O indicador considera a taxa de juros descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses.

A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central consolidou essa posição no cenário internacional. Esta foi a primeira vez que o comitê optou por manter os juros após sete altas consecutivas, demonstrando cautela diante das pressões inflacionárias e dos riscos fiscais que rondam a economia brasileira.

O juro real representa o retorno efetivo de investimentos após descontar a perda do poder de compra causada pela inflação. Diferentemente da taxa nominal, esse indicador mostra o ganho real que investidores e poupadores obtêm, sendo fundamental para avaliar a atratividade dos ativos financeiros brasileiros no mercado global.

Como funciona o cálculo do juro real

O cálculo do juro real brasileiro utiliza a metodologia que combina a taxa DI (Depósito Interbancário) projetada para 12 meses com a inflação esperada para o mesmo período, coletada pelo Boletim Focus do Banco Central. Atualmente, a inflação projetada está em 4,72% para os próximos 12 meses, enquanto a taxa de juros nominal permanece em 15% ao ano.

Essa diferença resulta na taxa real de 9,76%, que coloca o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. O levantamento da MoneYou considera 40 países relevantes no mercado de renda fixa global, oferecendo uma visão comparativa precisa da posição brasileira.

A metodologia “ex-ante” utilizada no estudo projeta as taxas com base nas expectativas futuras, não nos dados históricos. Isso permite uma análise mais precisa do cenário econômico prospectivo, considerando as decisões de política monetária e as projeções de inflação do mercado financeiro.

Impactos na economia e perspectivas futuras

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, explica que o Brasil entrou em território de política monetária restritiva apenas recentemente. Segundo suas projeções, a taxa real pode chegar a 10% no início de 2026, dependendo da evolução do cenário fiscal e das pressões inflacionárias.

A elevação dos juros reais tem efeitos diretos sobre o crescimento econômico, o mercado de crédito e os investimentos. Empresas enfrentam custos mais altos para financiamentos, enquanto investidores encontram maior atratividade em aplicações de renda fixa. O cenário também influencia o fluxo de capital estrangeiro, que busca países com retornos reais elevados.

As perspectivas de redução dos juros dependem de fatores como o controle da inflação, a melhoria do cenário fiscal e o comportamento da economia internacional. Agostini projeta que a convergência para taxas mais baixas deve começar apenas no fim de 2026, com consolidação em 2027, desde que as condições macroeconômicas permitam.

Fonte: Redação

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