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João Fonseca faz história, avança à 3ª rodada de Wimbledon e quebra jejum brasileiro

Publicado 02/07/2025 às 18:48 Ricardo Beariz
João Fonseca ergue os braços em celebração após vitória em Wimbledon, com placa do placar ao fundo
Créditos: Michele Eve Sandberg/Icon Sportswire via Getty Images

O tênis brasileiro voltou a comemorar um feito relevante em Grand Slam. Na tarde desta quarta-feira, 2 de julho, o carioca João Fonseca, de dezoito anos, derrotou o norte-americano Jenson Brooksby por 6-4, 5-7, 6-2 e 6-4, em 3 h 11 min de partida na quadra 12 do All England Club. A vitória garante a primeira presença do país na terceira rodada de Wimbledon desde 2010, quando Thomaz Bellucci alcançou o mesmo estágio. Fonseca confirma, assim, a sua transição bem-sucedida do circuito juvenil para o profissional, adicionando cento e sessenta pontos no ranking e um prêmio de 131 mil libras ao orçamento da temporada.

Desempenho sólido diante de Brooksby

Apesar de enfrentar ventos intermitentes, Fonseca manteve postura ofensiva desde o início. O brasileiro disparou quatorze aces, salvou dez de treze break-points e encerrou o duelo com quarenta e quatro winners, contra vinte e nove do rival. O ponto de virada veio no terceiro set, quando o jovem abriu 4 – 0 ao devolver devoluções profundas no backhand de Brooksby; a estratégia forçou erros do norte-americano e desequilibrou a troca de bola perto da linha de base. Fonseca exibiu variação, alternando slices curtos com forehands pesados, e converteu seis de nove chances de quebra. Na entrevista em quadra, o #NextGenATP resumiu o momento: “Aprendi que grama pede decisão rápida; reduzi o movimento de back-swing e confiei no meu primeiro saque”. A precisão no serviço foi decisiva, com setenta e oito por cento de pontos vencidos quando o primeiro saque entrou. Mesmo cedendo o segundo set, Fonseca evitou queda emocional, mostrou maturidade nos pontos longos e controlou o placar até o fim.

Repercussão e quebra de jejum nacional

O resultado encerra um hiato de quinze anos sem representantes brasileiros entre os trinta e dois melhores do Slam londrino. Para o ex-jogador Fernando Meligeni, que comentou a partida para a TV aberta, o adolescente “combina intensidade física e cabeça fria, rara em estreantes na grama”. O técnico Léo Azevedo, que acompanha Fonseca desde as categorias de base, atribuiu o sucesso ao planejamento de treinos específicos em Queen’s e em Roehampton nas semanas que antecederam Wimbledon. Nos corredores do clube, jornalistas britânicos recordaram a energia ruidosa da torcida verde-amarela, que tradicionalmente comparece em massa à quadra externa quando surge um brasileiro em ascensão; nesta quarta, cerca de quinhentos torcedores empunhavam bandeiras e entoavam canções de arquibancada, criando atmosfera de Copa Davis. A ITF destacou, em boletim oficial, que Fonseca é o atleta mais jovem da chave masculina a chegar à terceira fase desta edição. O feito ecoa a campanha de Gustavo Kuerten em 2004, último brasileiro a atingir a segunda semana em Londres; embora Guga tenha construído a carreira no saibro, Fonseca mostra adaptação precoce ao piso rápido, com encurtamento de pontos e uso eficiente do saque-voleio em momentos pontuais.

Próximo desafio e perspectivas no torneio

Na sexta-feira, o brasileiro terá pela frente o chileno Nicolás Jarry, cabeça de chave dezenove, especialista em saque forte e golpes planos. O histórico entre os dois é inexistente, mas analistas apontam equilíbrio: Jarry sustenta jogo agressivo semelhante ao do norte-americano Frances Tiafoe, a quem Fonseca superou no ATP de Buenos Aires. Caso avance, o jovem igualará a melhor campanha masculina brasileira na grama desde o início dos anos 2000, aproximando-se da segunda semana e de possíveis confrontos contra tenistas do top 10. Em ranking ao vivo, Fonseca já projeta salto para a posição sessenta e oito, sua melhor marca; se vencer mais uma, deve entrar no top 55, abrindo portas para torneios de nível ATP 500 sem necessidade de qualifying. Além dos pontos, a campanha soma experiência crucial: gerir a pressão de quadras cheias, lidar com mídia internacional e adaptar o repertório tático em um piso que tradicionalmente favorece sacadores. A equipe do brasileiro, composta por treinador, fisioterapeuta e preparador físico, planeja rodagem limitada pós-Wimbledon para consolidar ganhos técnicos antes da gira norte-americana de quadra dura.

Com apenas dezoito anos, Fonseca já derrotou nomes estabelecidos, como Andrey Rublev no Australian Open, e conquistou título ATP em Buenos Aires. O roteiro de crescimento tem respaldo da Confederação Brasileira de Tênis, que ampliou suporte logístico para jovens promissores. A federação acredita que a nova geração, liderada por Fonseca, Mateus Alves e Pedro Boscardin, pode reavivar o interesse do público no esporte, impulsionando academias e patrocínios regionais. Enquanto isso, o carioca celebra a quebra do jejum em Wimbledon, devolvendo ao tênis nacional um protagonismo que faltava há mais de uma década. Se mantiver a confiança nas devoluções e o aproveitamento do primeiro saque, o torcedor brasileiro tem razões concretas para sonhar com uma inédita presença nas oitavas do torneio mais tradicional do mundo.

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Ricardo Beariz

Redator e especialista em mídias sociais no Atitude MT, criando conteúdo que conecta você às notícias do dia dia.

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