A prévia da inflação oficial de outubro ficou em 0,18%, pressionada principalmente pelo preço dos combustíveis, segundo dados da Agência Brasil. Essa desaceleração, medida pelo IPCA‑15, vem após alta de 0,48% em setembro e mostra que alimentos seguem recuando pelo quinto mês. No acumulado de 12 meses, a inflação soma 4,94%, ainda acima da meta de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto.
Inflação e economia brasileira
A desaceleração se explica pela combinação de queda nos preços de itens como cebola, arroz e leite, além da redução na conta de luz com a mudança de bandeira tarifária. Enquanto alimentos e energia aliviam o orçamento, grupos como vestuário e transportes registraram alta em outubro. Esse movimento ocorre num cenário em que a atividade econômica cresceu 0,4% em agosto, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC‑Br). O indicador acumula alta de 3,2% em 12 meses e ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) a calibrar a taxa Selic, hoje em 15% ao ano.
Os dados do IBC‑Br apontam moderação no crescimento, influenciada por incertezas externas e pela política monetária. Mesmo assim, o mercado financeiro manteve a projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar 2025 com expansão de 2,16%, segundo o Boletim Focus. A combinação de inflação em queda e atividade lenta reforça a perspectiva de juros altos por mais tempo para levar o IPCA à meta.
O que muda com a queda da inflação e a taxa Selic
A desaceleração da inflação, aliada à previsão do mercado de que o IPCA deve encerrar 2025 em 4,72%, indica uma trajetória de acomodação dos preços. Esse boletim mostra projeções estáveis para PIB, câmbio e Selic, enquanto a expectativa de inflação recuou. Ainda assim, a estimativa está acima do teto de 4,5%, o que justifica a postura cautelosa do Copom em manter a Selic alta.
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Com juros altos, o crédito continua caro e a poupança é estimulada, limitando o consumo e freando a expansão econômica. Uma redução da Selic dependerá de sinais consistentes de queda da inflação e de melhora no cenário externo, hoje incerto. Enquanto isso, o alívio nas contas de energia e a queda de alimentos ajudam as famílias a recompor renda, mas o ritmo de crescimento deve seguir moderado.
O IPCA‑15 é uma prévia do índice oficial, pois considera preços coletados até a metade do mês e serve de termômetro para decisões do Banco Central e para o planejamento de empresas e famílias. Especialistas veem a desaceleração de outubro como um sinal positivo de que os preços podem seguir recuando, mas lembram que choques de energia ou de commodities ainda podem pressionar o custo de vida e exigir vigilância constante. A economia segue em ajuste gradual moderado.