Formação, prática e futuro: novos caminhos do jornalismo em Rondonópolis

Publicado 01/10/2026 às 10:24 Edileusa Jacyntho
Fotografia colorida tirada de um ângulo elevado, mostrando um grupo de dezoito pessoas (dezessete adultos e uma criança) posando para foto no plenário Ulysses Guimarães da Câmara Municipal de Rondonópolis. Eles estão de pé, alinhados lado a lado no centro do plenário, em frente a uma divisória de vidro transparente que revela ao fundo a mesa diretora e as cadeiras dos vereadores. À esquerda, vê-se parte de uma mesa coberta com toalha azul. No centro, à frente do grupo, há um púlpito de metal com o brasão do município em azul e branco. As pessoas vestem roupas casuais e sociais variadas e sorriem para a câmera. O ambiente é amplo, com piso de lajotas claras e paredes com detalhes em madeira. À frente, no primeiro plano inferior, vê-se o encosto de duas fileiras de cadeiras escuras do auditório. A iluminação é artificial e uniforme.
Os desafios da prática jornalística diária em Rondonópolis

Velocidade nas redes sociais, excesso de informações nem sempre confiáveis e a constante cobrança por agilidade. O cenário atual da comunicação impõe desafios diários a quem produz notícia, mas também reafirma uma certeza: a credibilidade continua sendo o maior patrimônio do jornalista.

As transformações na rotina das redações e no mercado do interior mato-grossense estiveram no centro das discussões que reuniram profissionais da imprensa, acadêmicos e representantes da categoria em Rondonópolis.

Na prática das redações locais, o dilema entre publicar primeiro ou publicar correto é constante. Para o jornalista Lucas Perrone, separar o joio do trigo virou a principal missão diária de quem atua na imprensa regional.

“O maior desafio hoje ainda é a apuração. Na era da pós-verdade e das redes sociais, a checagem está em primeiro lugar. O compromisso precisa ser sempre com a precisão. É o caminho mais difícil, mas é o que vai fazer a diferença lá na frente”, destaca Lucas, reforçando que a credibilidade vale mais do que a pressa por um clique.

Da sala de aula para a rotina da notícia

Se nas ruas e redes a cobrança é por checagem rigorosa, na universidade o desafio é preparar os futuros profissionais para esse mercado dinâmico sem perder a essência do papel social do jornalismo.

Docente do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o professor Lawrenberg Advíncula pontua que a academia tem buscado aproximar o ensino das tendências reais da profissão.

“Aproximar os cursos de Jornalismo dos profissionais da imprensa é condição necessária para fortalecer a formação acadêmica e consolidar a universidade pública como parceira no desenvolvimento local”, avalia o professor.

Lawrenberg lembra ainda que o público de hoje — do cidadão comum que fiscaliza a aplicação da verba pública local até o mercado financeiro — depende diretamente de informação qualificada. Por isso, a versatilidade do novo jornalista precisa vir acompanhada de profunda responsabilidade social.

Organização da categoria e presença no interior

A valorização do trabalho no interior do estado também passa pela organização da própria categoria e pela construção de novas pontes com o profissional regional. Representando o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), Itamar Perenha apontou que o fortalecimento da profissão no interior exige presença física e atuação direta nas cidades do pólo regional.

Entre as diretrizes do novo estatuto da entidade está a criação de núcleos operacionais descentralizados. A proposta para Rondonópolis é estruturar uma representação local capaz de dar suporte contínuo aos comunicadores do município e região.

Ao analisar o trabalho desenvolvido pela imprensa rondonopolitana, Itamar destacou o engajamento dos profissionais locais com o interesse público e defendeu que o jornalismo focado na apuração séria é insubstituível. “A sociedade da informação e do conhecimento não vai prescindir do jornalismo, que é uma profissão do presente e do futuro”, resumiu.

Entre os desafios da rotina, a formação contínua e a necessidade de articulação da categoria, o debate na cidade deixa um recado claro: mude a tecnologia ou o formato, a boa informação ainda depende do olhar atento, ético e apurado do jornalista.

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Edileusa Jacyntho

Jornalista no Atitude MT, formada pela UNEMAT Rondonópolis. Atuo com cobertura de Política e Social, sempre com informação responsável. Também produzo conteúdos de entretenimento e trabalho com Comunicação Estratégica e Assessoria de Imprensa, transformando fatos em histórias e marcas em autoridade.

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