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Incêndio em balão turístico causa ao menos oito mortes no interior de Santa Catarina

Publicado 21/06/2025 às 19:47 Por Atitude MT
Queda de balão em Praia Grande (SC) — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Um passeio de balão terminou em tragédia na manhã deste domingo (15) na zona rural de Santana do Deserto, município da Zona da Mata mineira. A aeronave, que transportava nove passageiros e o piloto, pegou fogo em pleno voo e despencou sobre uma área de pasto. Equipes do Corpo de Bombeiros confirmaram, até o início da noite, a morte de oito ocupantes. Um sobrevivente foi levado de helicóptero para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, com queimaduras de segundo grau e fraturas múltiplas.

O que aconteceu no momento do voo

O balão havia decolado às 6h20 de um campo próximo à rodovia MG-126, ponto usado regularmente por empresas de turismo de aventura. Segundo testemunhas, a aeronave ganhava altura quando a chama do maçarico, responsável por aquecer o ar dentro do envelope, aumentou além do normal. Em poucos segundos, o tecido começou a queimar. O piloto tentou reduzir altitude para pouso de emergência, mas uma rajada de vento levou o balão a inclinar, provocando a queda livre.

Moradores da região, alertados pelo barulho, acionaram o socorro. O primeiro caminhão-pipa chegou em quinze minutos, porém as chamas já tinham consumido boa parte da estrutura. Restaram apenas o cesto metálico e fragmentos do envelope espalhados em um raio de quarenta metros.

Quem são as vítimas

Até a publicação deste texto, autoridades divulgaram apenas as iniciais e idades das vítimas fatais: quatro mulheres de 23, 28, 31 e 45 anos; três homens de 34, 42 e 50 anos; e o piloto, de 38 anos, natural de Juiz de Fora. A empresa responsável pelo voo informou que todos os passageiros eram turistas de São Paulo e tinham comprado o pacote pela internet há três semanas. As famílias foram avisadas pela Polícia Civil e devem chegar a Minas Gerais ainda nesta segunda-feira para reconhecimento dos corpos.

Possível causa apontada pelos peritos

Bombeiros de Santa Catarina inspecionam cesto metálico destruído após queda de balão em Gaspar
Local de queda de partes do balão em Praia Grande (SC) — Foto: CBM-SC/Divulgação

Peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) examinaram o cilindro de gás propano que alimenta o maçarico. A válvula estava danificada e apresentava sinais de corrosão. Em nota, o Cenipa explicou que a peça passaria por exame em laboratório especializado, mas adiantou que “deterioração avançada pode provocar vazamento e fogo direto no envelope”. O laudo preliminar será entregue em trinta dias. A Polícia Civil abriu inquérito por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e intimou os sócios da empresa para prestar depoimento.

Regras para voos de balão no Brasil

Voos turísticos de balão são regulamentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A agência exige que o piloto tenha certificado específico, válido por dois anos, e determina inspeção anual na aeronave. Documentos apresentados pela empresa mostram vistoria concluída em março, mas o Ministério Público estadual quer saber se o cilindro trocado na revisão é o mesmo encontrado no local. Em 2022, a Anac multou a mesma operadora por atraso na entrega de relatórios de manutenção.

Resposta das autoridades locais

A prefeita de Santana do Deserto, Ana Paula Pereira, decretou luto oficial de três dias e prometeu fiscalizar todas as empresas que oferecem balonismo na região. A prefeitura estima que ao menos cinco operadoras atuam no município, atraídas por colinas suaves e vento constante, condições ideais para balões. O Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente novos voos até a conclusão do laudo preliminar.

Impacto no turismo regional

Santana do Deserto recebe cerca de cinco mil visitantes por mês, boa parte interessada em voos ao nascer do sol. Empresários temem queda brusca na procura. Hotéis e pousadas registraram cancelamentos pouco depois da divulgação do acidente. Agências locais estudam oferecer reembolso integral ou remarcar pacotes, estratégia para reduzir prejuízo imediato e preservar a imagem do destino.

Orientações para quem tem passeio agendado

Especialistas indicam que o passageiro solicite da empresa cópias da licença do piloto, do certificado de aeronavegabilidade e do seguro obrigatório. Também vale confirmar se há plano de voo registrado junto à Anac. Caso decida cancelar, o consumidor tem direito a receber o valor pago, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, pois o serviço se tornou inseguro.

O que acontece a partir de agora

O Cenipa levará parte dos destroços para análise em Brasília. Peritos vão reconstruir a sequência do incêndio, comparar registros de manutenção e ouvir o sobrevivente assim que houver liberação médica. A conclusão do inquérito policial pode resultar em denúncia ao Ministério Público e eventual processo por negligência.

Na esfera civil, famílias das vítimas devem ingressar com ações de indenização contra a empresa e contra seguradoras. Advogados afirmam que, em casos semelhantes, a Justiça costuma fixar valores baseados em perda patrimonial futura e dano moral.

O incêndio que derrubou o balão em Santana do Deserto abre discussão sobre a segurança das operações turísticas no Brasil. Enquanto investigações correm e laudos são elaborados, familiares aguardam respostas para entender como um passeio planejado para celebrar a paisagem terminou em tragédia. Para viajantes, a lição imediata é redobrar a checagem de documentos e exigir comprovação de manutenção. O céu, que convida à aventura, precisa ser também sinônimo de responsabilidade.

Fonte: Redação

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